# Coração Comestível

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Diferenças


Mesmo com tantas diferenças, EU AMO VOCÊ. Mas afinal, o que seria de nós se fossemos completamente iguais?!

Ahh, minha vida. Você é a metade que faltava em mim! <3


"Eu sou uma pessoa confusa, eu me confundo com as coisas, eu me confundo com a vida eu me confundo comigo mesmo e meus próprios pensamentos."



— PC Siqueira. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. 
Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar.

Não sei brincar e ser café com leite. 
Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre. 


Gabriel García Márquez

Comportada




Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou.


Maria de Queiróz

sábado, 16 de junho de 2012

Somos aquilo que nossas escolhas determinaram

É uma ilusão pensarmos que somos aquilo que a vida – os outros, os acontecimentos… – fez de nós. 
Somos, antes, aquilo que as nossas escolhas determinaram. 
A vida pode arrastar-nos de um lado para outro, magoar-nos, oferecer-nos frio ou calor. Mas não nos corrompe.

Paulo Geraldo

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sem nome


Você precisa fazer alguma coisa, as pessoas dizem. Qualquer coisa, por favor, as pessoas dizem. O que não dá é pra ficar assim. Nem que seja piorar, nem que seja enlouquecer. Olho o rosto das pessoas. Tem os ossos, dai tem a parte de dentro. Tem os olhos e tem o fundo dos olhos. Da boca saem esses sons. De repente alguém encosta em mim. Pra perguntar com o quentinho da mão se estou ouvindo e entendendo. Sorrio e torço pra pessoa ir embora. Torço pra alguém chegar, só pra torcer bem pouquinho por algo. Mas dai a pessoa começa a falar e torço pra pessoa ir embora. Não tem o que fazer, não tem o que dizer, não tem o que sentir. Sou uma ferida fechada. Sou uma hemorragia estancada. Tenho medo de deixar sair uma letra ou um som e, de repente, desmoronar.
Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto. Tentei falar. Convidei uma amiga pra jantar e tentei falar. Fiquei rouca, enjoada, até que a voz foi embora. Tentei aceitar o abraço da minha amiga, mas minha mão não conseguiu tocar nas costas dela. Não consigo ficar triste porque ficar triste é menos do que eu estou. Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.
Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.
Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre.


Tati Bernardi

sábado, 7 de abril de 2012

Peixes: Sobre Labirintos




E de tantos encantos perdidos, tantas promessas desfeitas, algo foi feito e fez sentido, a falta de razão que há no tempo e na impossibilidade de medir sentimentos pelos ponteiros do relógio.
E tendo uma coragem imensa de ser insana, me deixo perder nos labirintos que eu mesma construí, e faço do fim um começo e descubro ser eu mesma tudo aquilo que me impede e tudo aquilo que me faz seguir.
Peixes é o último signo, enquanto as arianas são as crianças do zodíaco, O Louco do tarô, as piscianas são as anciãs, O Ermitão do tarô de Marselha.
Elas são o fim, são a porta que liga o mundo visto ao invisível, e por isso, donas de uma sensibilidade mística e de um sexto sentido apurado.
Piscianas sentem o mundo de dentro para fora.
Gosto dos amargos e dos doces, viciada no picante e no quente fervendo.
Sei que às vezes parece que me falta um coração, mas na verdade me sobra tanto dele que nunca soube dizer não ao amor, ou melhor, não disse não ao amor quando ele sentido por mim como um reencontro, deu sentido a todas as cicatrizes que carrego.
Há algo de água nas piscianas, no jeito de olhar e acolher, no encanto perturbador dessas mulheres que são calmaria e tempestade, porque a água é prazer e dor. Elas são calmas e perigosas, como um mar no fim da tarde.
Peixes é o signo que melhor mescla doses de crueldade e de afeto, elas amam com dedicação, afeto e entrega, se doam, mas cobram ter de volta o reconhecimento das renúncias e sacrifícios que fazem. Piscianas amam e precisam ser amadas.
Elas são o útero da mãe e os braços da morte, o sofrimento de uma mulher de peixes é banhado nas águas de suas lágrimas, o drama de peixes é tão profundo e intenso que todos sofrem junto com elas.
Elas são doces e violentas, rio e mar.
Pois sou feita dos sentimentos que carrego e das dúvidas que possuo, vivo e vivi cada um deles com a verdade que trago nos olhos.
Não preciso de uma turma de amigos, preciso de amigos que sejam para mim o que sou para eles, uma fonte, uma ponte, uma estrada, uma raiz.
Que sejam tantos que conte sem problemas nos dedos, mas que os tendo eu nunca seja solidão.
Raramente piscianas sentem prazer nas multidões, elas carregam um mundo inteiro dentro delas, e por isso, precisam de momentos de solidão para conseguir ter praz. Sem isso elas se tornam cansadas, tristes, sentem que nada mais faz sentido, e como já disse, o drama dessas mulheres faz novelas mexicanas serem cult como filmes franceses.
Amigos e família para ela são a base que as sustenta, entretanto, elas não são aquelas que cultivam, que mandam mensagens e fazem reuniões para os ter em volta, piscianas são solitárias, preferem ser a casa que abriga, elas são a mãe e amiga que sempre terá uma cama para te acolher nas noites frias, dificilmente serão o convite para o cinema ou a conversa longa ao telefone.
Não preciso de uma bandeira inteira, quero a bandeira rasgada da luta, desbotada pelos suores e dias caminhando embaixo do sol.
Não preciso de um emprego que pague pela minha alma, preciso de um que faça minha alma ser grata por ele.
A lógica de peixes, de que algo precisa ser feito para tornar o mundo que as cerca melhor, faz delas sempre engajadas em alguma causa, elas gostam da sensação de fazer o bem, isso talvez venha da certeza que carregam que somos muito mais que matéria, que somos alma.
Por isso trabalhar para elas, é mais que ganhar dinheiro, é investir o tempo em algo que traga prazer e que as faça sentir importantes no mundo, piscianas sentem o tempo todo que estão cumprindo alguma missão.
E a alma artística dessas mulheres será sempre notada, mesmo que seja na maneira cor de rosa em que olham para o mundo.
Piscianas são fãs de doces ilusões.
Não preciso de uma mulher que seja perfeita, quero ter a que seja o que vejo quando fecho os olhos, e quando dormir, que  minhas mãos procurem pela proteção que só seus braços sejam capazes de me oferecer.
Ela não será jamais a princesa dos contos de fada, mas será a mulher que habita meu medo de cair, que visita meus pensamentos e me faz desejar ser quem sou, simplesmente por ser amada por ela.
Nada de perfeição, nada de hotéis caros em Paris, nada de cenas de filme de mulheres com bolsas mais caras que um apartamento, sim para o café da manhã com filé e mussarela, a cerveja gelada na cozinha aos domingos, aos beijos dados entre sorrisos e os olhares que conversam em silêncio.
As piscianas são instáveis como a água que as cerca, podem se perder nos campos da depressão ou dançar com uma alegria viciante. E muitas vezes parecem ser extremamente manipuláveis, e são, afinal, as filhas de Netuno possuem a correnteza nas veias, e se deixam ser levadas por algo que ultrapassa a razão, é a natureza dessas mulheres que precisam crer para ver.
Elas cuidam, elas protegem, e muitas vezes se esquecem de cuidar das próprias feridas, acreditam ser imortais, mesmo tendo a fragilidade de uma borboleta saindo do casulo.
Me amar é fácil, me odiar também, mas me entender, só quem sente é capaz, e isso, eu sei, infelizmente, é para poucos.



Por Celle Fonseca - PL